Vem e demora-te em mim.
Vem e demora-te em mim.
Esquece a pressa que nos atrasa, que
nos empurra em direções diferentes e fica.
Atrasa esse relógio que não para, o
tempo que vá á merda quando estamos juntos porque hoje vim para me demorar em
ti. Não há corpo nem vontade que te resista, e o meu é louco por ti.
Reinventamos a poesia sempre que nos tocamos, cada traço do teu corpo é um novo
verso que nasce quando a minha boca lhe toca, e que poetas que somos.
Hoje o
tempo está a nosso favor, desligámos os telemóveis e os relógios ficaram á
porta, estamos a sós e que nada atrapalhe o ritmo da nossa respiração quando
nos encontramos assim. As roupas no chão indicam o caminho até ao quarto, é
impossível aguentar até aqui sem te ver a pele. Estás comigo, calas-me com o
corpo e não há necessidade de dizer nada, que se lixe a conversa quando nos
encontramos assim. Fala-me com os gestos, com as carícias, grita-me com toques,
com olhares, e não digas nada se não o meu nome, e é o que dizes. Adoro quando
me chamas assim, quando pedes por mim, quando sussurras ao meu ouvido para não
parar, e eu não paro.
O mundo lá fora continua as suas vidas quando aqui dentro
destas quatro paredes, sobre esta cama e estes lençóis nós damos um novo
sentido á vida. Somos artistas, reinventamos a poesia e o sentido da vida
quando nos encontramos assim.
Hoje não vais a lado nenhum a não ser para mim.
Vem e demora-te, demora-te sempre, e tu demoras.
Não há melhor chegada que a
tua, e tu chegas sempre, não falhas, se posso pedir algo é que nunca falhes, e
eu sei que não o fazes.
Os vidros estão embaciados, os ruídos na rua são
abafados pelos barulhos no quarto, e é aqui que se vive, é que aqui, em ti que
eu encontro a vida e me demoro nela, sabemos que estamos vivos quando nos
encontramos assim, e somos eternos.



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